Em tom de zombaria, o
comandante do pelotão de fuzilamento perguntou ao jovem mártir se desejava,
antes de ser executado, enviar uma mensagem para
seus pais. Ele respondeu:
"Sim, diga-lhes que
vamos nos rever no Céu".
Corria o ano de 1926 e, a
não ser pela crescente hostilidade do governo de Plutarco Elías Calles contra a
Igreja, dir-se-ia que no Estado de Michoacán, no México, o tempo havia parado.
Essa zona agrícola situada
entre grandes montanhas e lagos foi marcada pela infatigável evangelização dos
missionários franciscanos, agostinianos e de outras ordens religiosas, o que,
aliado ao temperamento rijo de seus habitantes, curtidos pela inclemência do
clima, e ao relativo afastamento das grandes cidades, tinha dado forma a uma
das regiões mais católicas do México e talvez da América.
Sahuayo era uma pequena
aldeia do estado de Michoacán. Após o trabalho diário, sua população se reunia
na hora do Ângelus na Igreja de São Tiago Apóstolo, para agradecer à bondosíssima
Mãe de Guadalupe as graças e favores que lhes havia concedido na jornada. E,
junto com seu querido pároco, rezava o rosário sem nunca deixar de pedir pelo
México, para que cessasse quanto antes a impiedosa perseguição do governo
contra os católicos.
No meio de todos os meninos
da paróquia, um se destacava pela piedade com que rezava. Era José Luis Sánchez
del Río. De apenas 13 anos, travesso como todos os de sua idade, tinha na mente
uma idéia fixa. Idéia que havia nascido numa noite de inverno quando seus pais
convidaram o pároco para jantar e este lhes contou que a perseguição religiosa
estava levando muitos mártires mexicanos para o Céu.
- Como é isso, padre?
- Sim, Josesito, são
católicos que, ante a ordem de renegar nossa religião, preferem dar suas vidas,
e morrem fuzilados. Mas o Senhor os recebe junto a nossa Mãe de Guadalupe, no
Céu.
- E os meninos também podem
ser mártires, padre?
- Bem... enfim... se Deus
assim dispuser, podem ser, como os Santos Inocentes que celebramos em nossa
paróquia no mês de dezembro.
José Luis sentiu em seu
coração um ardor que não era senão uma graça de Deus, uma preparação para os
grandes acontecimentos que se desenrolariam pouco tempo depois na tranqüila
Sahuayo.
Nunca foi tão fácil ganhar
o Céu!
Com efeito, em agosto de
1926 chegou à pequena aldeia a notícia de que estava proibido o culto católico
público. A família Sánchez del Río se reuniu consternada e, enquanto os filhos
mais novos se conformavam em continuar ajudando seu pai nos trabalhos
agrícolas, Miguel, o mais velho, decidiu pegar em armas junto com seus amigos,
os irmãos Gálvez, para defender Cristo e sua Igreja.
Vendo isso, José pediu
permissão a seus pais para alistar-se também no Exército "Cristero",
que havia se formado sob o comando do general Prudencio Mendoza. Sua mãe,
porém, se opôs:
- Meu filho, uma criança da
sua idade vai mais estorvar do que ajudar o exército.
-
Mas, mamãe, nunca foi tão fácil ganhar o Céu como agora! Não quero
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